sábado, 19 de novembro de 2011

Pensando a Educação Sexual


Pensando a Educação Sexual 
por Carolina Gonçalves de Freitas

           Estudos realizados na área de Sexualidade vêm mostrando que trabalhar em Educação Sexual, ao contrário do que se muitos pais e professores imaginam, não estimula a atividade sexual, não antecipa a idade do primeiro contato sexual, não interfere na orientação sexual, não aumenta a incidência de gravidez ou aborto entre adolescentes. Na realidade contribuem para que as crianças e os (as) adolescentes tornem-se mais conscientes e responsáveis.

A possibilidade que a criança e o (a) adolescente têm de falar sobre a sexualidade abre um canal para a construção de seus conhecimentos. A mediação do educador formal ou informal (professores e pais) pelas músicas, histórias, poesias, desenhos, livros, filmes, facilita o clima de descontração, diminuindo o desconforto, que muitos ainda têm, em falar sobre o assunto – sexualidade.


Para saber mais:

Vídeo: Educação sexual deve ser tratada dentro do ambiente familiar e das escolas - Assunto em Debate, na Globo News, em 17.11.11 

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Entrevista - Psiquiatra Ana Beatriz Barbosa

“Ansiosos colocam o problema na frente do prazer”

Autora da recém-lançada obra Mentes Ansiosas, a psiquiatra Ana Betriz Barbosa conta como controlar a ansiedade na vida e no trabalho
Por Amanda Camasmie

Sempre pensar que nada vai dar certo é uma característica do ansioso, segundo a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa.

Você acorda quase todos os dias com a sensação de que algo ruim irá acontecer? Também sempre está com uma constante sensação de tensão, esperando a todo o momento o pior dos mundos? Se a resposta for sim, há grandes chances de que a sua ansiedade esteja ultrapassando os limites. E chegar a esse nível pode significar que em algum momento você começará a se prejudicar no trabalho e na vida – se já não estiver se prejudicando. “As personalidades mais pré-dispostas a serem mais ansiosas são as perfeccionistas e controladoras”, afimou a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, autora do livro Mentes Ansiosas - Medo e a ansiedade além dos limites pela Fontanar, um selo da editora Objetiva.

A psiquiatra conta que tonturas, diarreias, insônia e alergias podem ser indícios de que a pessoa está ultrapassando os limites da ansiedade, o que pode levar até a um transtorno do pânico. Além disso, a ansiedade além dos limites passa a sensação de constante tensão. “O ansioso coloca o problema na frente do prazer”, disse a psiquiatra na entrevista concedida a Época NEGÓCIOS.

Em seu livro, a senhora cita que o medo e a ansiedade são como arroz feijão. Por qual motivo eles andam tão juntos?
O medo e a ansiedade são a mesma coisa para o organismo. Qualquer ser humano tem a reação do medo, que é programado para a nossa sobrevivência para enfrentar dificuldades. Quando essa reação surgiu, ela era ligada a uma sobrevivência material, no sentido de caçar e comer. Hoje, nós temos essa mesma reação, mas com um estilo de vida totalmente diferente. Nos dias atuais temos uma reação frente a um perigo, como medo de cachorro e de lugar fechado, por exemplo. Quando se tem ansiedade é a mesma sensação, a diferença é que o indivíduo não consegue identificar o que traz esse medo. Isso provoca no organismo uma reação de perigo, a pressão aumenta, assim como os batimentos cardíacos e a frequência respiratória. O corpo nos prepara para essa reação de ansiedade porque identifica que é a mesma sensação do medo.

Medo: "Sentimento de grande inquietação ante a noção de um perigo real ou imaginário"
Ansiedade: "Sensação de receio e de apreensão, sem causa evidente"
*Trecho do livro Mentes Ansiosas - Medo e a ansiedade além dos limites

Mas se fugimos do centro urbano para ir ao campo, isso faz com que fiquemos menos ansiosos, não?
Sim, mas é diferente. Porque você está indo para lá para descansar e se desconectar totalmente do trabalho e não para desenvolver alguma atividade. E não precisa ir ao campo ou à praia para isso. Em qualquer lugar que você esteja, que consiga te tirar desse turbilhão de coisas, vai fazer com que você descanse. É por isso que as pessoas precisam sair de férias todos os anos. Dividir as férias em duas fases seria importante, porque quando você tira o mês inteiro, você desconecta completamente e depois demora a voltar à rotina corporativa. Muitos que tiram um mês de descanso adoecem, porque fizeram uma esticada muito grande. Na verdade, o melhor ainda seria dividir as férias em quatro, ou seja, tirar uma semana a cada três meses.

A forte ansiedade pode levar ao transtorno do pânico. Como não chegar a isso?
É preciso cuidar do corpo. E não é só fazendo exercícios. Beber muita água é importante. O excesso de adrenalina só sai do corpo pela urina. Beber muita água significa que a pessoa está diluindo a substância no organismo e depois eliminando.

É necessário seguir algum tipo de dieta?
A cafeína deve ser evitada. Também é bom evitar ficar muitas horas sem comer e nesse intervalo ingerir doces. Fissura por doces é sinal de que a pessoa está com o estresse elevado. Ganhar peso também é um indício. Mas é um aumento de peso diferente, ele se acumula apenas na cintura abdominal, a pessoa ganha barriga.

E o sono?
A insônia é outro sinal, o sono picado é muito típico de alto nível de ansiedade. Sonhar que perdeu a hora, prazos ou arquivos do trabalho também indicam que você pode estar mais ansioso que o normal. Pessoas que ficam muito irritadas, mesmo que não manifestem também são perigosas para si mesmas. E uma constatação interessante é quando a pessoa começa a fazer solilóquio, que é um diálogo interno. A pessoa começa a ficar chata, a reclamar do trânsito, da vida, do trabalho, de tudo e de todos. Quem ouve muito pessoas assim não se pode deixar contagiar. É preciso ficar atento.

Como o profissional pode trabalhar a ansiedade no dia a dia?
Essa qualidade precisa vir das empresas. Uma referência importante é o Google. Existe uma flexibilidade de horário que eles trouxeram para o ambiente corporativo. Há locais para relaxar, e isso é fundamental. O trabalhador gasta quase dois terços da sua vida no trabalho, contando o horário de locomoção, então ele precisa de um ambiente agradável. No Google, hora do almoço é hora do almoço. Eles te “obrigam” a dar uma volta e sair um pouco do ambiente corporativo.

E se a empresa não oferece essa qualidade, o que fazer?
Nesses casos o funcionário precisa utilizar técnicas para não entrar na sintonia da ansiedade. Perceba: quais são os sinais que minha personalidade me dá para dizer que estou ansioso? Cada um vai ter um sinal. Pode ser enxaqueca, tontura, diarréia e outros. Quando estou mais ansioso ou sobrecarregado, como os meus pensamentos reagem? É preciso se autoavaliar diariamente. Também é importante priorizar as atividades e não fazer dez coisas ao mesmo tempo. Não adianta acelerar, porque isso não resolve, não é sinônimo de produtividade.
O Steve Jobs foi extremamente ansioso. Ele foi para a Índia meditar e voltou ainda mais ansioso. Pessoas assim se dão bem, mas antes precisam cair.

E se o funcionário sofre muita pressão do chefe?
Um chefe pode reclamar de tudo, mas não de um resultado satisfatório. Como você vai fazer o seu trabalho não importa. Se ele quer controlar a forma como as atividades são feitas, ele é controlador e um mau chefe. Não se pode deixar entrar na ansiedade dele. É preciso ser produtivo, sem ser pilhado. É preciso desarmar e não rebater. Se você entra na ansiedade do seu chefe, perde a produtividade e nesse momento ele vai falar “tá vendo, eu não falei?”.

Os ansiosos também têm dificuldades em aceitar críticas?
Antes de receber a crítica, ele já fica com taquicardia. O ansioso precisa entender que se alguém o chama para fazer críticas, é porque essa pessoa aposta em você. Ele precisa aprender a ouvir, aliás, essa é uma medicação fundamental. O ansioso sempre está precipitado em querer dar a solução, mas nem sempre está preparado para ouvir.

Há um lado positivo da ansiedade?
Os ansiosos são as pessoas que dão o “start” para as coisas. São aqueles que anteveem as coisas, já têm um plano A, B e C. Desde que ele não faça isso uma coisa de vida ou morte, isso é muito interessante. Porque são pessoas que costumam se preparar para as intempéries da vida. Mas ele precisa saber que mesmo que ele tenha dez hipóteses, a vida um dia vai exigir a 11ª e ele vai ter que aceitar. Ele precisa entender que haverá situações em que ele não saberá o que fazer. Lembro apenas que esses exemplos se encaixam em pessoas ansiosas que não estão a ponto de adoecer. São pessoas que sabem administrar a ansiedade e admitem que precisam seguir algumas regras, senão extrapolam.

A senhora tem exemplos de pessoas famosas e ansiosas que fizeram sucesso?
O Steve Jobs foi extremamente ansioso. Ele foi para a Índia meditar e voltou ainda mais ansioso. Criou uma empresa e por querer fazer valer suas ideias, foi posto para fora da própria companhia. Foi quando ele aprendeu e entendeu que deveria fazer com que as pessoas acreditassem na sua ideia. Pessoas assim se dão bem, mas antes precisam cair. Toda vez que vi ansiosos caírem e terem a humildade de saber que as coisas não são como eles querem, os vi tendo sucesso.

A senhora diz que uma dose de medo é importante, seria uma forma de proteção quando atravessamos a rua, somos assaltados, etc. É uma forma de nos mantermos vivos. Qual é o limite para a ansiedade no trabalho? A senhora pode citar exemplos?
Você pode ter tonturas, o coração dispara. Ou você tem uma diarreia. Pode ter pressão alta, insônia, dores de cabeça e musculares. Cada organismo reage de um jeito e sinaliza que o corpo não está harmônico. São dores e reações que a pessoa nunca teve e passou a ter. Quando a pessoa procura um tratamento, esse corpo já transbordou.

Como saber se sou uma pessoa muito ansiosa?
Personalidades mais pré-dispostas a serem ansiosas são perfeccionistas e controladoras. São aqueles que estão sempre revisando um trabalho e exigindo muito de si e de todos. Essas pessoas, além de adoecerem, podem adoecer os colegas. Para você saber qual o seu nível de estresse no trabalho, além das dores no corpo, é preciso perceber se você está sempre com uma sensação de tensão. É a sensação de que toda hora vai acontecer algo que vai te prender ou que algo negativo poderá te afetar. O ansioso pensa “não vai dar certo”, “será que vai ser bom?”. O ansioso coloca o problema na frente do prazer.

De acordo com o seu livro, um dado que contraria o senso comum é o fato de que o pânico ocorre com igual frequência nos grandes centros urbanos e nas regiões agrícolas. A vida agitada nas cidades então não influencia de nenhuma maneira o pânico e a ansiedade?
É errado imaginar que o centro urbano é o culpado por esse aumento da ansiedade. Na área rural também há muitos estressados. Nunca houve tantos conflitos na área agrícola, com pessoas sendo ameaçadas de morte, por exemplo. A produção agrícola passou a ser commodity, tem a preocupação com as pragas, mudanças climáticas e greves. Também é um ambiente de estresse para as pessoas. Mas é preciso lembrar que precisamos de uma dose de ansiedade. Caso contrário, nem levantamos da cama, porque não estaremos ansiosos para realizar nada.


Livro:


MENTES ANSIOSAS:
Medo e ansiedade além dos limites 
Ansiedade e medo todo mundo tem, são necessários para a proteção e perpetuação da espécie humana. O problema é quando esses sentimentos se tornam excessivos e nos fazem adoecer, transtornando a nossa vida.

Medo de altura, de animais, de lugares fechados, de dentista, de dirigir, de falar em público, de sair de casa. E a ansiedade? Que aperta o peito, dá um "nó" na garganta, acelera o coração, provoca o pânico. [...]
Autora: Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva
Editora: Fontanar  

Site: http://www.medicinadocomportamento.com.br/


sábado, 12 de novembro de 2011

Informativo 12 nov 2011


O Kama Sutra Islâmico
Escrito por muçulmanas, livro causa polêmica ao defender o sexo grupal e a submissão feminina como formas de combater o divórcio e a violência doméstica
Por Paula Rocha

"Os homens têm necessidades que não podem controlar. Se essas necessidades não são saciadas, eles se voltam contra as mulheres. Assim Alá os fez." É com esse argumento que um grupo de mulheres islâmicas, intitulado Obedient Wives Club (Clube das Esposas Obedientes), criou um guia para ajudar as muçulmanas a fortalecer seus casamentos. Nas 115 páginas de “Islamic Sex, Fighting Jews to Return Islamic Sex to the World” (Sexo islâmico, combatendo os judeus para devolver o sexo islâmico ao mundo), elas defendem a submissão feminina como uma forma de combater o divórcio e a violência doméstica. A publicação, que já está sendo chamada de Kama Sutra islâmico, não possui ilustrações explícitas, mas contém instruções sobre como entreter, obedecer e dar prazer aos maridos. Entre as dicas está o sexo grupal, estimulado entre a mulher, o homem e suas outras esposas, já que a poligamia é permitida pela religião islâmica. “Alá garantiu ao homem a possibilidade de ter sexo simultâneo com todas as suas esposas. Se a mulher assim agir, o sexo será melhor”, diz um dos capítulos do guia. 


Criado na Malásia, país de maioria muçulmana, o Clube das Esposas Obedientes possui cerca de mil afiliadas, es­­­palhadas entre sua terra natal, Indonésia, Cingapura e Jordânia. A postura radical da associação recebe críticas de organizações de direitos humanos, de grupos islâmicos e até mesmo de ministros. “Associar a violência doméstica e a fidelidade dos maridos à capacidade das mulheres de serem obedientes é humilhante, não só para as mulheres, mas também para os homens”, disse Shahrizat Jalil, ministra do Desenvolvimento da Mulher, Família e Comunidade da Malásia.

Para o sheik Jihad Hassan Hammadeh, presidente do conselho de ética da União Nacional das Entidades Islâmicas no Brasil, os argumentos usados pelas esposas obedientes não encontram respaldo no “Alcorão”. “No livro sagrado não está escrito que a mulher deve submissão ao homem nem o homem à mulher, mas sim que os dois devem ser submissos a Deus”, diz. Há duas semanas, o Ministério do Interior da Malásia proibiu a publicação do polêmico guia, alegando que ele oferecia uma imagem degradante do país ao resto do mundo.


Sexo para melhorar a saúde

Que sexo faz bem, isso todo mundo sabe. Há, por exemplo, aquela máxima de que pele boa é sinônimo de bastante sexo, certo? Mas a verdade é que além do que a gente pode ver, fazer sexo traz outras vantagens para o nosso organismo, sabia?

Para conseguir os benefícios, a indicação dos especialistas é que você pratique cerca de três vezes por semana! Veja algumas das vantagens de fazer sexo com frequência:

Bom sono – você dorme melhor porque transar alivia as tensões.
Sabia que pesquisadores da Sociedade Alemã do Sono defendem que o sexo é a única atividade física recomendada antes do sono? É que todas as outras atividades físicas noturnas liberam hormônios estimulantes em excesso que deixam o cérebro acordado, já o sexo relaxa.

Emagrece - como os pesquisadores alemães já avisaram, sexo é um exercício aeróbico, por isso ajuda a emagrecer. Vale lembrar que a quantidade de calorias perdidas depende da intensidade, das várias posições, do tempo, etc...

Melhora o humor - isso todo mundo sabe, né? Mas o motivo é que por ser exercício físico, sexo libera de endorfina, gerando bem-estar. Além disso, dá a sensação de que você é desejado aumento a autoestima e melhorando a relação com o seu parceiro.

Combate a dor de cabeça - fazendo sexo com regularidade você fica menos estressada, bem-humorada e seu corpo libera mais endorfina e serotonina. Essa combinação de fatores é um ‘remédio’ do organismo contra dores de cabeça. Ou seja, use a desculpa da dor de cabeça para fazer sexo e não para ir dormir!

Por Larissa Alvarez

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Informativo 31 out 2011

A doença da pressa
Os psicólogos dizem que o sentimento permanente de urgência sem justificativa é uma síndrome contemporânea – também gera problemas físicos

Por Flávia Yuri e Margarida Telles
 
O dia da gaúcha radicada em São Paulo Edi Terezinha Ramos Caldeira, de 59 anos, começa às 5 da manhã. Ela gosta de adiantar as coisas enquanto a casa dorme. Divide seu tempo entre a casa, a família e a venda de joias. Chega a atender 40 pessoas em uma semana. Não dirige, mas pouco depende de ônibus. Como a maior parte de seus clientes vive na vizinhança e em bairros próximos, Terezinha faz o percurso a pé. “Se somar o tempo que passo parada no ponto de ônibus e o percurso, sou mais rápida”, diz. Ela é mais rápida também do que o elevador. Seu principal ourives fica no 7o andar de um prédio no centro da cidade de São Paulo. Terezinha não se lembra se algum dia pegou a fila do elevador. Ela sobe de escada. “É uma barbaridade o que esse elevador demora.” As caminhadas com o peso da mala de rodinhas que puxa para cima e para baixo lhe renderam o desgaste da cartilagem do joelho recentemente. E, há dez anos, uma crise de depressão séria. Ela se viu, de uma hora para outra, obrigada a assumir o lugar do síndico do condomínio onde mora. “Foi muita coisa ao mesmo tempo. Pifei”, diz ela. Foi um ano de antidepressivos e terapia para Terezinha se recuperar. No ano seguinte, teve mais duas crises. Desde então, aprendeu a perceber os sintomas. Ela suspende as visitas a clientes até se recompor. E não tem depressão há oito anos.

O perfil de Terezinha faz parte do cenário da vida moderna. Quem não conhece alguém como ela? Organizada, fissurada no relógio, altamente produtiva. Aparentemente, são pessoas que agem de acordo com as exigências das obrigações do ambiente externo. Mas cresce o número de psicólogos que desconfiam que, momento em muitas pessoas, a pressa surge sem estímulos externos justificáveis. Longos períodos de correria condicionaram as pessoas a viver dessa forma mesmo quando não precisam.

Será uma atitude normal ou doentia? A distinção é sutil. Para começar, casos assim não podem ser classificados como doença, mas como um comportamento obsessivo. Caracterizam-se por um sentimento de pressa sem motivo. Crônico. Surge mesmo nas férias ou em situações em que não há motivo para alguém ficar ansioso ou apressado. Os principais sinais de que o sentimento de urgência fugiu do controle são quando algo simples e, aparentemente inofensivo, causa irritação e até mesmo raiva intensa. Quem fica nervoso com um sinal fechado, um elevador seguindo na direção oposta quando não está atrasado para nenhum compromisso é uma possível vítima da pressa crônica. 

Nos Estados Unidos, o termo usado para pessoas com esses sintomas é hurry sickness (ou doença da pressa). Ele foi criado pelo cardiologista americano Meyer Friedman em 1959. O médico reparou que os braços das cadeiras da sala de espera duravam muito pouco. Descobriu que os pacientes se sentavam na ponta dos assentos, na posição de quem pretende levantar a qualquer momento, e batucavam nervosamente nos apoios de braços das poltronas. Friedman resolveu estudar os efeitos do estresse. Concluiu que pessoas tomadas pelo sentimento de urgência constante e irritabilidade eram mais sujeitas a problemas cardíacos.

A ideia de doença da pressa continua atual. Dois estudos recentes tentam mapeá-la. O primeiro deles foi feito pela coordenadora do Laboratório de Estudos Psicofisiológicos do Stress da PUC-Campinas, Marilda Lipp. Ela ouviu quase 2 mil pessoas com mais de 25 anos em São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas, e descobriu que 65% dizem viver com pressa. “Quase todos nós temos pressa, mas em 10% das pessoas que entrevistei esse sentimento é exagerado”, diz Marilda. “Essas pessoas fazem diversas atividades ao mesmo tempo, vivem com a sensação de urgência e se irritam quando sentem que estão perdendo tempo.”

Outra pesquisadora, Ana Maria Rossi, da International Stress Management Association (Associação Internacional de Gerenciamento do Estresse), entrevistou 900 profissionais entre 24 e 58 anos, em São Paulo e em Porto Alegre. Constatou que 36% deles sofrem da doença da pressa. Eles sentem pressa de forma crônica e injustificada. O preocupante nos resultados dessa pesquisa é que o grupo identificado com esse perfil apresenta uma série de disfunções. Segundo o levantamento, 93% reclamam de crises de ansiedade, 91% de angústia e 57% de sentimentos de raiva injustificada. Dores musculares, incluindo dor de cabeça, atingem 94% dos entrevistados, 45% deles sofrem com distúrbios do sono e 24% com taquicardia.  

O diagnóstico da pressa crônica é difícil de fazer. As pessoas não conseguem enxergar quando seu comportamento é exagerado em relação à realidade. Contribui para isso a imagem de eficiente que o apressado tem na sociedade. “Mesmo quando alguém reconhece que está com um problema, acha que seu ritmo de vida requer essa postura”, diz Ana Maria. As pessoas procuram tratamento quando as consequências desse comportamento chegam a extremos. A angústia cede lugar à depressão. Os problemas com o sono ou a taquicardia tornam-se crônicos e ameaçam causar danos físicos graves, como problemas no coração. “Os pacientes recorrem aos médicos por causa de sintomas variados: taquicardia, dores musculares, cefaleia e palpitações, sem perceber que a ansiedade está por trás deles”, diz o psiquiatra Marcio Bernik, coordenador do Programa Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo.

Para os psicólogos, está claro que pressa crônica virou um sintoma que pede tratamento. Mas entre os médicos essa abordagem é polêmica. Para eles, os psicólogos estão dando um nome novo para um problema antigo. “Os sintomas identificados nas pessoas com esse comportamento são os mesmos de alguém que sofre de Transtorno de Ansiedade Generalizado (TAG), uma doença com múltiplas causas”, diz Geraldo Possendoro, psiquiatra e psicoterapeuta especializado em estresse da Universidade Federal de São Paulo. Quem tem o TAG costuma se preocupar de forma obsessiva com o que ainda vai acontecer. “Eles têm a necessidade de se antecipar e, por isso, sentem tanta pressa.” Os psicólogos concordam que esse pode ser um dos quadros de TAG. Mas argumentam que encontraram a origem de um dos comportamentos obsessivos associados ao transtorno: a pressa contínua. E que isso facilita o tratamento e aumenta as chances de melhora do paciente. 

Independentemente da classificação científica da pressa crônica ou de seus sintomas, o importante é estar atento. Isso ajuda a desacelerar ou a procurar auxílio profissional quando o sentimento de urgência interfere no dia a dia, nas relações sociais e, principalmente, na saúde. O tratamento consiste em aceitar o problema, aprender a identificar comportamentos que são fruto da pressa e, aos poucos, substituí-los por ações opostas, como pegar a fila mais longa ou parar no semáforo amarelo em vez de acelerar o carro. 

A pressa é inerente à vida nas cidades. O sociólogo alemão Georg Simmel discorreu sobre a “intensificação da vida nervosa” como condição de quem vive nas grandes cidades. “Disso resulta a mudança rápida e ininterrupta de impressões interiores e exteriores do homem e suas reações”, disse ele num discurso proferido em 1903 em Frankfurt, na Alemanha. Hoje, a tecnologia, os problemas de trânsito e as exigências da vida profissional acentuaram essa vida nervosa. Nesse ponto, médicos e psicólogos concordam. Os dias de hoje exigem respostas mais rápidas, e a pressa, se não é um sintoma em si, é um dos principais fatores causadores de estresse.

“A evolução das tecnologias móveis, como celulares e computadores portáteis, tem feito com que as pessoas não se desliguem mais do trabalho”, diz Possendoro. “Elas começam a responder às mensagens ainda antes do café da manhã e se mantêm conectadas até a hora de dormir.” Os números apoiam essa tese. De acordo com uma pesquisa da consultoria Radicati Group, em um dia uma pessoa recebe mais de 100 e-mails e responde ou envia mais de 50 deles, independentemente de estar no escritório ou não. A estimativa é que, em 2014, o número de mensagens que circulam globalmente deverá aumentar em mais de 30%. 

O publicitário paulistano Marcos Mauro Rodrigues, de 57 anos, extrapola essas estatísticas. Ele recebe até 1.000 e-mails por dia e lê parte deles enquanto executa outras tarefas, como falar ao telefone. Seu dia onde trabalha na agência de comunicação começa às 9 da manhã e termina por volta das 11 da noite, com apenas 15 minutos para o almoço. Férias de um mês não fazem parte de sua vida há duas décadas. Marcos fuma dois maços de cigarro por dia e abusa do café. “Sei que meu corpo sofre”, diz. “Mas acho que, se ficar uma semana em uma rede no sítio sem fazer nada, tenho um chilique.” Nesse cenário cheio de ralos para escoar as horas do dia, apressar-se é a diferença entre ter ou não tempo para o prazer e a família. Para os psicólogos, saber diminuir o passo é tão importante quanto conseguir acelerá-lo. A vida é muito curta para ser vivida sempre com pressa.


Fonte: http://revistaepoca.globo.com/